Como chegamos aqui?

Como chegamos aqui? Ou melhor... Como cheguei aqui. Sem esse papo de quem veio primeiro, a galinha ou o ovo, ok?


Há alguns dias acompanhamos pelo Facebook – que gerou o post “Da discordância que pode gerar concordância” – uma imensa discussão sobre Relações Públicas e Administração de Empresas. Lemos uma série de pontos de vista, algumas paráfrases de livros famosos, umas filosofias de boteco e outras grandes sacadas.

Mas, por que escolhemos essa área e/ou profissão? Por que Relações Públicas? (Se você, meu caro, não é RP – tudo bem, ninguém é perfeito – reflita sobre a sua escolha. Por que escolheu esta profissão e/ou área de atuação).

Minha trajetória foi a seguinte... Sempre foi apaixonado por Cinema. A fotografia, os efeitos, as tramas, as amarrações. O como aquele universo numa película era capaz de provocar tamanho encantamento no espectador. Até hoje, ao entrar numa sala de cinema, me emociono. Isso, sem contar todo o ritual que preciso realizar para localizar a poltrona perfeita (incidência da luz + corrente de ar + inclinação + etc. = TOC) – mas isso é tema pra outro tipo de blog.

O poder daquela projeção me fascinava, por isso, por algumas vezes, minha opção no vestibular foi Cinema. Fatalmente “levei pau” em todas as tentativas.

Depois disso, sem perder a paixão pelo Cinema, reduzi o tamanho dos filmes. Que tal os de 60” ou 30”?. Fui fazer Publicidade e Propaganda. Ah! Os publicitários... Os prêmios... As produções... O ambiente dinâmico e impulsivo, permeado por ideias tresloucadas e vivazes, promovendo o movimento dos públicos e das massas, em prol de um objetivo traçado é intrigante.

O poder de persuasão dos ganchos publicitários me encantava, por isso, cursei Publicidade e Propaganda. Mas ainda não era o que eu queria.

Depois disso fui trabalhar com pessoas. “Descobri” a comunicação verbal e não-verbal em um dos momentos mais vulneráveis do ser humano: o ato de comprar. Fui trabalhar com moda, mexer com as vaidades e massagear egos. Não sei quantos de vocês têm idéia do que dois ou três elogios podem fazer no cartão de crédito de uma pessoa – quero ressaltar que não estou me referindo as falsidades e/ou mentiras, ok?

O poder da retórica, o convencimento com base em argumentos quase irrefutáveis, perturbava o meu entendimento.

Pouco a pouco fui me aproximando daquilo que sou hoje... Um apaixonado pelo comportamento humano.

Sem leitura de ementa ou de grade curricular, por puro acaso (para os que acreditam no acaso) ou por destino (para os que acreditam nele), encontrei-me com as Relações Públicas e, por meio dela, compreendi o que eu realmente buscava: PODER.

Sim, assumo: eu buscava poder. Não o “poder” ostentado, a pompa e a circunstância. Não esse “poder”. Mas o “poder” de ter autoridade e domínio para promover movimentos e movimentações. Ter força e influência, permissão ou autorização para realizar a máxima “ninguém muda ninguém, ninguém muda sozinho, nos mudamos nos encontros”, nos embates, nos confrontos. Poder para ter calma, energia e paciência para tal feito: consolidar relações, primar pela coerência entre imagem e identidade de um dado alguém ou instituição. Poder para promover ambientes de mudança.

Hoje sou Relações Públicas do Centro Internacional de Hidroinformática, Parque Tecnológico Itaipu, e atuo basicamente como Gestor de Projetos no âmbito das tecnologias sociais, educação à distância e comunicação comunitária. E, portanto, hoje me vejo envolto em um ambiente de encantamento e fascinação, dinâmico e impulsivo, obviamente tangido por vaidades e egos, mas acima de tudo, um ambiente capaz de promover mudanças e movimentos.

A busca pelo poder me levou às Relações Públicas e as Relações Públicas me fizeram compreender o que eu de fato buscava.

E você, como chegou até aqui?


Abraços, até breve... @birobson

This entry was posted on terça-feira, 19 de julho de 2011 and is filed under ,. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

4 Responses to “Como chegamos aqui?”

Alexandre disse...

Robson,

Parabéns pelo texto e por suas reflexões.
Abraços,
Alexandre Costa
@alexandre_amc

Robson Carvalho Turcato disse...

Obrigado Alexandre.
Acredito que eu seja muito jovem para concluir coisas - se é que existe um momento na vida que nos permita conclusões - mas neste momento o post representa muito do meu percurso e como compreendo o universo no meu entorno.
Estou feliz com meu caminho, ávido por inovações, mas feliz.
E você, como chegou nas RPs?
Abraços...

Gleicy Laranjeira disse...

Me senti uma criança lendo suas experiências, quanta coisa ! Parabéns.. como eu cheguei nas relações públicas? no fundo, como você, querendo ter o poder de movimentar as pessoas e confesso, tentar manipular elas, mas calma..eu só cheguei lá assim, depois descobri outro universo de conhecimentos e pessoas..E acho que ainda me falta muito conhecimento, na verdade sinto que por toda vida acharei isso. Tomara, é o que me impele a buscar aprender continuamente.

Robson Carvalho Turcato disse...

Gleicy, sinta-se criança não!
Temos vivências distintas e isso não está diretamente relacionada à curva de tempo, mas sim, às lições aprendidas e apreendidas delas.
É bacana essa sensação de que falta algo a ser explorado.
Como diria um grande companheiro, "keep walking".
O que acha de escrever para o Ser.RP contando sua trajetória?
Alexandre, reitero meu convite: topa contar sua trajetória para o Ser.RP?
Abraços, até breve... @birobson